TRABALHOS CIENTÍFICOS

 

Confira aqui a programação das apresentações durante o evento!

 

Caso queria ver as temáticas que serão abordadas nos Grupos de Trabalho, veja a listagem completa dos grupos logo abaixo, nessa mesma página.

 

Dúvidas ou informações complementares podem ser esclarecidas através do email alimentossaudaveis.workshop@gmail.com

 

GRUPOS DE TRABALHO

 

Os Grupos de Trabalho – GTs temáticos da AgUrb são espaços de apresentação de trabalhos que tratam do estado da arte sobre temas como alimentos saudáveis, sociobiodiversidade, sistemas agroalimentares sustentáveis e inovações tanto no consumo como na produção. Os GTs têm por objetivo criar condições para que pesquisadores, ativistas, formuladores de políticas, agentes públicos e privados possam discutir e compartilhar tanto resultados de investigação assim como estabelecer as bases teóricas, empíricas e metodológicas de questões que precisam ser aprofundadas. Veja abaixo a listagem completa dos Grupos de Trabalho.

 

 

1. Sistema Alimentares Sustentáveis: abordagens, políticas e práticas

Coordenação:

  • Paulo Niederle – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Brasil)
  • Allison Loconto – Instituto Nacional Francês de Pesquisa Agrícola (França)
  • Alison Blay-Palmer – Presidente em Sistemas Alimentares Sustentáveis no Centro Internacional para Governança (Canada)
  • He Congzhi – Universidade Agrícola da China (China)

 

A construção de sistemas alimentares sustentáveis tem pautado a agenda acadêmica e política há, pelo menos, duas décadas. No entanto, nos últimos anos, o agravamento e a confluência das crises ecológicas, energéticas, climáticas, econômicas e políticas tem aumentado a pressão social para que pesquisadores, gestores públicos e movimentos sociais apresentem alternativas factíveis para os atuais modelos de produção e consumo alimentar. A factibilidade destas alternativas envolve a capacidade de resistir aos processos convencionalização ensejados pelo regime sociotécnico dominante, a habilidade de persistir apesar dos ambientes desafiadores, bem como o potencial de scaling up/out/deep. O objetivo deste Grupo de Trabalho é analisar os principais avanços na discussão sobre os processos de transição para a sustentabilidade no sistema alimentar. Os temas centrais de interesse abarcam análises sobre: (a) as abordagens teóricas que orientam os estudos contemporâneos sobre processos de transição nos sistemas alimentares, seus potenciais, limites e possibilidades de diálogo; (b) as ações públicas que priorizam o fortalecimento de novos modelos de produção, abastecimento e consumo; (c) a emergência de práticas alimentares inovadoras, abarcando e integrando a produção agrícola, os sistemas de distribuição, os mecanismos de certificação e as experiências de consumo ético; (d) as novas formas de ação coletiva voltadas à construção de mercados alimentares cívicos; (e) a articulação entre experiências localizadas de produção e consumo alimentar e as novas redes e plataformas globais; (f) os desafios e obstáculos enfrentados durante a transição desde nichos alternativos a opções de regime.

 

 

2. Compras institucionais de alimentos e programas de alimentação escolar: análise de seus benefícios, desafios e oportunidades

Coordenação:

  • Luana F. J. Swensson – Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (Itália)
  • Luciana Dias de Oliveira – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Brasil)
  • Danny Hunter – ONG Biodiversidade Internacional e Universidade de Sydney (Austrália)
  • Armando Fornazier – Universidade de Brasília (Brasil)
  • Rogério Robs Fanti Raimundo – Instituto Federal de Ciências e Tecnologia da Educação do Sul de Minas Gerais (Brasil)
  • Regismeire Viana Lima – Universidade Federal do Amazonas (Brasil)

 

Os programas institucionais de aquisição de alimentos, incluindo os programas de alimentação escolar, têm recebido atenção crescente como um importante instrumento de política pública com o potencial de oferecer múltiplos benefícios e alcançar múltiplos beneficiários, incluindo consumidores, produtores de alimentos e comunidades locais. A principal característica destes programas é a possibilidade – com base em suas políticas e quadros regulatórios –de determinar não apenas a forma como o alimento é adquirido, mas em particular (i) quais alimentos são comprados (locais, socio e bio-diversos, nutritivos, saudáveis, culturalmente adequados e respeitando o meio ambiente baseado em abordagens agroecológica); (ii) de quem são comprados (produtores locais e/ou da agricultura familiar, pequenas e medias empresas, mulheres, jovens e demais grupos vulneráveis); e (iii) a logística (de como os alimentos são recebidos, armazenados, preparados e como seus resíduos são gerenciados). Ao fazê-lo, as compras institucionais têm um grande potencial para influenciar tanto os padrões de consumo, quanto os padrões de produção de alimentos, contribuindo para a transformação dos sistemas alimentares locais. Diferentes instituições têm a capacidade de prover a demanda por alimentos para a implementação dos programas. Entre elas se destacam as escolas. O comportamento alimentar se molda na infância e o ambiente escolar é um meio propício à inclusão de alimentos que contemplem o sentido ampliado de alimentação saudável. Através da alimentação escolar, pode-se fomentar o consumo politizado de alimentos envolvendo a consciência do quão importante é a origem destes alimentos e do impacto social gerado pelo consumo dos mesmos. Neste contexto, este grupo de trabalho (GT) espera receber contribuições de diferentes áreas de conhecimento que explorem os diferentes benefícios e beneficiários dos programas institucionais de aquisição de alimentos. Estes podem incluir resultados no âmbito da saúde, nutrição, gênero, meio ambiente e socioeconômico como na organização dos agricultores, renda e segurança alimentar dos produtores e beneficiários. Espera-se que as contribuições abordem inovações e fatores de sucesso assim como falhas observadas na elaboração, implementação, monitoramento e avaliação dos programas de compras institucionais. Com base nas discussões dos Centros Colaboradores em Alimentação e Nutrição Escolar (CECANEs), este grupo de trabalho acolherá com particular atenção contribuições sobre a inserção de alimentos da agricultura familiar com ênfase na produção agroecológica e orgânica, que promova a sociobiodiversidade de povos e comunidades tradicionais na rotina de alimentação escolar. Os trabalhos selecionados serão reunidos e divulgados através da Rede Brasileira de Alimentação Escolar (REBRAE).

 

 

3. Sistemas de produção pecuária, transformações nos mercados e nos padrões de consumo de carnes em uma sociedade urbanizada

Coordenação:

  • Paulo Dabdab Waquil – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Brasil)
  • Jean François Tourrand – Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (França)
  • Alessandra Matte – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Brasil)
  • Vicente Celestino Pires Silveira – Universidade Federal de Santa Maria (Brasil)
  • Fernando Luiz Ferreira de Quadros – Universidade Federal de Santa Maria (Brasil)

 

A pecuária envolve uma grande diversidade de sistemas produtivos nas mais distintas regiões, que vêm passando por transformações nas últimas décadas. Caracterizados pela produção de animais, os sistemas de produção pecuária podem assumir múltiplas funções: além da produção de carne, leite, couro ou lã, estes sistemas podem compreender atividades para a geração de renda, relações com as formas de ocupação dos territórios, trazer elementos associados à cultura e tradição, e interferir nas relações sociais e com o meio ambiente. Apresentando perspectivas contraditórias, por um lado, os sistemas de produção pecuária podem contribuir para a destruição do ambiente natural, como pela derrubada de florestas para a implantação de pastagens com redução da biodiversidade, ou, por outro lado, contribuir para a conservação do ambiente, pela produção em campos naturais e a prestação de serviços de conservação da biodiversidade. As transformações nos sistemas de produção pecuária também têm ocorrido como respostas às mudanças nos mercados e nos padrões de consumo de carnes. Alterações nas estruturas de mercado, com maior concentração no processamento e na distribuição, movimentos de defesa dos animais e consumo consciente, incrementos de renda e maior demanda por proteínas são fatores direcionadores destas transformações. A proposta deste GT visa reunir artigos e discutir sobre a diversidade dos sistemas produtivos, múltiplas funções da pecuária, tensões perante os avanços da produção de grãos e de árvores em regiões de campos naturais, mudanças nas formas de inserção nos mercados, maior concentração nos setores de processamento e distribuição, segmentação dos mercados, percepções dos consumidores e tendências de alterações na demanda por produtos de origem animal, sanidade e qualidade dos alimentos. O GT tem como meta a discussão de possibilidades e alternativas de sistemas produtivos sustentáveis para a pecuária, especialmente nas regiões de campos naturais, com seus impactos locais, regionais ou globais.

 

4. Transição para sistemas alimentares sustentáveis da cidade-região

Coordenação:

  • Elodie Valette – Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (França)
  • Richard Nunes – Universidade de Reading (Reino Unido)
  • Nicolas Bricas – Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (França)
  • Michael Goodman – Universidade de Reading (Reino Unido)
  • Manuela Maluf Santos – Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (Brasil)

 

Embora a pesquisa sobre as transformações dos sistemas alimentares seja um campo em rápida expansão, o conhecimento ainda está fragmentado (Feola 2015). Muitas pesquisas primárias sobre os mecanismos que inibem a transformação do sistema, por exemplo, são freqüentemente específicas da disciplina. As sínteses anteriores dos mecanismos que mantêm uma resiliência indesejável (Scheffer et al., 2007; IPES-Food 2016; Kuokkanen et al., 2017) identificaram apenas um punhado de mecanismos e tendem a excluir lições das ciências ambientais (Robertson et al., 2005). Tal fragmentação está dificultando o desenvolvimento de soluções coordenadas, e o desenvolvimento de abordagens menos contaminadas é necessário para transformações bem sucedidas do sistema (Agência Europeia do Meio Ambiente 2016, IPES-Food 2016, Conselho Internacional para a Ciência 2017). Para facilitar essa transição, precisamos entender como avançar para sistemas alimentares cada vez mais sustentáveis nas cidades e suas regiões. Novas ferramentas de avaliação e metodologia são necessárias para interrogar suposições gerais sobre a sustentabilidade dos sistemas alimentares. Os pressupostos também precisam ser descompactados. Por exemplo, os sistemas alimentares de menor escala como inerentemente mais desejáveis são uma “armadilha local”, e somos instados a examinar as agendas e motivações de pesquisa das pessoas envolvidas (Born e Purcell, 2006). Oliver et al (em revisão) destacam que a resiliência é indesejável quando perpetua práticas insustentáveis e cria lock-in que funciona contra transições de sustentabilidade (Davoudi et al., 2013). Em relação à implementação, é necessário conectar e incorporar estratégias alimentares em outros fluxos de políticas (Sonnino, 2016). Muitas vezes, a tentação é identificar a região da cidade ou região metropolitana como uma escala de governança uniformemente definida ou coerente. No entanto, tais visões estão cheias de questões preexistentes de questões de justiça social e ambiental que cercam a distribuição desigual de ativos ecológicos (e seus retornos sociais) e os encargos ambientais desproporcionais entre os economicamente desfavorecidos nas cidades (Nunes 2017). Neste GT, exploraremos as possíveis dificuldades, tensões e objetivos concorrentes associados à aplicação de uma abordagem de sistemas alimentares regionais da cidade (Dubbeling et al, 2017, FAO 2016). Em particular, são questões sobre: (a) Como envolver as comunidades na co-construção de ferramentas, políticas e programas para determinar como as inovações e a sustentabilidade dos sistemas alimentares se cruzam?; (b) Como podemos entender como / se a transformação sustentável está ocorrendo usando processos participativos?; (c) Se o planejamento ocorre a um nível metropolitano a partir da perspectiva dos alimentos?; e (d) O que significa transição para uma economia alimentar justa e sustentável?

 

 

5. Políticas de Abastecimento Alimentar

Coordenação:

  • Cátia Grisa – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Brasil)
  • Sandrine Freguin Gresh – Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (França)
  • Cesar Enrique Ortiz Guerrero – Pontifícia Universidade Javeriana (Colômbia)
  • Laura Elena Trujillo Ortega – Universidade Autônoma de Chapingo (México)

 

O acesso à alimentação, a permanência da fome e da desnutrição, a demanda por alimentação saudável e a problemática da obesidade são desafios contemporâneos e simultâneos que afetam diversos países no mundo. Estes elementos colocam desafios para a atuação das políticas públicas e exigem respostas que articulem iniciativas focadas no âmbito da produção agrícola, logística e distribuição, processamento, regulação da qualidade, e acesso aos alimentos. Trata-se de respostas intersetoriais que extrapolam os limites espaciais do rural e do urbano ou as dicotomias entre produção e consumo e colocam o abastecimento alimentar como problemática integradora. Neste sentido, o GT recebe trabalhos que discutam, analiticamente e teoricamente, a atuação das políticas públicas no abastecimento alimentar. Serão privilegiados trabalhos que abordem temas como: políticas de estímulos à produção de alimentos; regulação sobre produção, circulação, distribuição, transformação e publicidade dos alimentos; ações públicas de promoção do acesso aos alimentos; políticas públicas que articulem compra, venda e doação de alimentos; iniciativas para redução de perdas e desperdícios de alimentos; estruturas e equipamentos públicos para o abastecimento alimentar; interações e conflitos entre Estado e Sociedade na construção de políticas públicas e marcos regulatórios para o abastecimento alimentar; contradições e ausências do Estado na problemática do abastecimento alimentar.

 

 

6. Alimentando a cidade: agricultura urbana/periurbana e pedagogia alimentar

Coordenação:

  • Antonio Nivaldo Hespanhol – Universidade Estadual Paulista (Brasil)
  • Rebecca Laycock Pedersen – Universidade Tecnologica de Blekinge (Suécia)
  • Zoe Robinson – Universidade Keele (Reino Unido)
  • Clécio Azevedo da Solva – Universidade Federal de Santa Catarina (Brasil)
  • Rosangela Aparecida de Medeiros Hespanhol – Universidade Estadual Paulista (Brasil)
  • Francisco Fransualdo de Azevedo – Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Brasil)

 

O reconhecimento da importância da agricultura urbana e periurbana (AUP) na produção de alimentos ampliou-se significativamente desde o final do século XX e início do XXI. Isto se deve, em parte, ao agravamento dos problemas sociais, econômicos e ambientais nas cidades dos países subdesenvolvidos e ao crescente interesse de alguns nichos populacionais específicos nos países desenvolvidos em consumir alimentos de alta qualidade e em conectar-se com a natureza. A AUP é intensiva em conhecimento e, portanto, requer profissionais altamente qualificados e sistemas de compartilhamento de saberes que possam apoiar o seu desenvolvimento. Ao mesmo tempo, os locais em que a AUP é praticada podem abrigar uma variedade de experiências de aprendizagem sobre os cultivos hortícolas/agrícolas, o gerenciamento de voluntários/funcionários, a conscientização sobre o meio ambiente e a sustentabilidade e o gerenciamento de negócios. O objetivo deste grupo de trabalho é explorar o papel da AUP na alimentação das cidades, o seu alcance como ferramenta pedagógica e desenvolver conhecimento e habilidades para apoiar a AUP. Convidamos propostas que se vinculam ao tema da alimentação das cidades no que concerne aos seguintes aspectos: políticas públicas que estimulem o abastecimento de alimentos das cidades com base na AUP; contribuições da AUP para a ampliação do acesso a alimentos produzidos localmente; potenciais da AUP para produzir alimentos e gerar emprego e renda; papel da AUP na redução das desigualdades, da pobreza e da insegurança alimentar. As propostas também podem tratar do alcance pedagógico da AUP, explorando o papel da educação no desenvolvimento da AUP tais como a prática da produção de alimentos; aprendizados sobre AUP e suas práticas; potencial da AUP como ferramenta pedagógica para apoiar a aprendizagem em várias formas; ensino/aprendizagem formal, não formal e informal; e aplicações/contribuições para teorias educacionais e pedagógicas no contexto da AUP.

 

 

7. Gastronomia e Ruralidades em sociedades urbanizadas: conexões entre chefs, agricultores, consumidores e ingredientes singulares

Coordenação:

  • Tainá Bacellar Zaneti – Universidade de Brasília (Brasil)
  • Raul Matta – Universidade de Gottingen (Alemanha)
  • Eric Olmedo – Universidade Kebangsaan Malásia (Malásia)
  • Janine Collaço – Universidade Federal de Goiás (Brasil)
  • Alessandra dos Santos Santos – Centro Universitário de Brasília (Brasil)

 

Atualmente, a gastronomia contemporânea vem utilizando cada vez mais ingredientes tradicionais, artesanais, locais e/ou orgânicos, entendidos como ingredientes singulares.  Neste contexto, os chefs tem recorrido progressivamente às compras diretas dos produtores afim de garantir a qualidade, o frescor e o sabor dos ingredientes.  Para além da relação de compra e venda desses ingredientes singulares, este recurso tem criado redes de relacionamentos entre chefs, produtores e consumidores, que além de promover aumento das vendas dos agricultores, também tem criado novos espaços de (re) valorização simbólica, convivência, comercialização entre estes atores e novas utilizações e/ou criações de produtos.  Este processo vem crescendo como uma tendência mundial, podendo ser observado desde os melhores restaurantes do mundo até em diversos programas televisivos de gastronomia.  Por ser um movimento emergente, há várias questões a serem aprofundadas e melhor compreendidas, tais como, o papel das políticas públicas no estímulo e apoio a estas iniciativas, o papel das mídias para construção desse Mercado, as motivações dos consumidores para consumir esse tipo de gastronomia e, principalmente, entender como esta gastronomia pode atingir escalas mais abrangentes. A proposta deste Grupo de Trabalho busca  reunir artigos e relatos de experiências para ampliar a discussão sobre a contribuição da gastronomia para o fortalecimento da agricultura familiar, a evolução do papel do chef como um ator político, a construção de sistemas agroalimentares alternativos, qualidade dos alimentos, movimentos sociais alimentares, selos de qualidades de produtos (Indicações Geográfica, Orgânicos e outros), sociologia do consumo, antropologia e sociologia da alimentação, patrimônio alimentar, gastronomização e estetização do consumo alimentar. O GT tem como proposito a arguição de possibilidades e alternativas da gastronomia como ferramenta para o desenvolvimento rural.

 

 

8. Conexões entre agricultura urbana, agroecologia, direito à alimentação e direito à cidade

Coordenação:

  • Heloisa Soares de Moura Costa – Universidade Federal de Minas Gerais  (Brasil)
  • Veruska Prado Alexandre – Universidade Federal de Goiás  (Brasil)
  • Daniela Adil Oliveira de Almeida – Subsecretaria de Segurança Alimentar e Nutricional na Prefeitura de Belo Horizonte e AUÊ! – Grupo de Estudo sobre Agricultura Urbana da Universidade Federal de Minas Gerais (Brasil)
  • Inês Rugani Ribeiro de Castro – Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Brasil)
  • André Ruoppolo Biazoti – Grupo de Estudos em Agricultura Urbana do Instituto de Estudos Avançados, Universidade de São Paulo (Brasil)
  • André Campos Búrigo – Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, Fundação Oswaldo Cruz  (Brasil)

 

O paradigma que rege a ocupação das cidades no aspecto territorial e de circulação de pessoas, valores e serviços, tem levado a expressões profundas de injustiças e assimetrias nos modos de vida. O acesso ao direito humano à alimentação adequada (DHAA) é desigual nas cidades e sofre influência de fatores sociais, econômicos, culturais e territoriais. Neste contexto são identificadas disputas pelas riquezas naturais e pela conformação de sistemas alimentares no espaço urbano. As lutas e recomendações pelo direito à cidade na perspectiva da justiça ambiental, da agroecologia e do DHAA apontam princípios orientadores para as políticas públicas visando equidade e justiça social. A reafirmação de territórios rurais e urbanos para produção de alimentos agroecológicos, em bases familiares e/ou solidárias e redes alternativas de comercialização, representa resistência às tendências capitalistas hegemônicas de controle da terra, bem como alternativas emancipatórias de reestruturação territorial e reprodução ampliada da vida. No campo do planejamento urbano algumas experiências articulam usos agrícolas em áreas urbanas, construindo outras relações entre natureza e urbanização e reforçando a função social da terra, premissa básica para a soberania alimentar e o direito à cidade. Este GT busca problematizar conexões entre sistemas alimentares justos e sustentáveis, agroecologia, segurança alimentar e nutricional e saúde, discutindo práticas e teorias que incorporem estas temáticas na perspectiva do direito à cidade e dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. O GT acolherá trabalhos que enfatizem:

  • Contribuições da agroecologia para a conexão campo-cidade, justiça ambiental, DHAA e o direito à cidade;
  • Conexões entre planejamento urbano, soberania e segurança alimentar e nutricional, políticas e ações públicas voltadas para agroecologia e agricultura urbana, produção em pequena escala, orientados à conformação de sistemas agroalimentares justos e sustentáveis;
  • Experiências de redes sociotécnicas que articulem e fortaleçam práticas agroecológicas;
  • Conflitos territoriais envolvendo agricultura urbana, atividades econômicas e preservação ambiental.

 

 

9. As (re)configurações rurais e urbanas na alimentação e a perspectiva territorial

Coordenação:

  • Anelise Graciele Rambo – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Brasil)
  • Ademir Antonio Cazella – Universidade Federal de Santa Catarina (Brasil)
  • Giulia Giacchè – AgroParisTech (França)
  • Hannah Wittman – Centro de Sistemas Alimentares Sustentáveis, Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá)
  • Héctor Robles Berlanga – Universidade Autônoma Metropolitana (México)
  • Virgínia de Lima Palhares – Universidade Federal de Minas Gerais (Brasil)

 

Os movimentos sociopolíticos em torno da alimentação de qualidade vêm ganhando expressividade nos meios urbano e rural mundiais. Se, no passado, as políticas públicas relacionadas à alimentação e à agricultura se situavam na esfera das organizações profissionais agrícolas, atualmente, distintos atores, desde consumidores conscientes a agricultores urbanos, articulam-se na reconfiguração de relações entre estilos de vida urbano e rural. Nessa reconfiguração emergem iniciativas inovadoras, que indicam um aumento da consciência sociopolítica acerca dos problemas vinculados ao modelo hegemônico de desenvolvimento. Essas iniciativas abrangem desde circuitos curtos de comercialização de alimentos, agroturismo, residências secundárias no campo e pluriatividade agrícola até as ações de desenvolvimento territorial em torno de produtos e serviços diferenciados. Concomitantemente, emergem políticas públicas de denominação territorial, as quais assumiram o desafio de dar respostas inovadoras a problemas que historicamente assolam regiões rurais e urbanas, influenciando de alguma forma as iniciativas mencionadas. Este grupo receberá trabalhos que contemplem:

  • Práticas de resistência ao modelo hegemônico de produção de alimentos e perspectivas teóricas sobre a reconfiguração das articulações entre o rural e o urbano. Este eixo abarca análises sobre agrarismo urbano; agricultura urbana; agroecologia; construção social da tecnologia; inovação social; dispositivos coletivos; perspectiva de escala multinível; sistemas agroalimentares localizados; indicações geográficas; cesta de bens e serviços territoriais; feiras livres; quintais; hortas e redes de entregas domiciliares e múltiplas construções solidárias e identitárias em territórios urbanos e periurbanos.
  • Abordagem territorial e a reconexão entre produção e consumo de alimentos saudáveis e sustentáveis. Este eixo abarcará análises que repercutam avanços, desafios e perspectivas da abordagem territorial do desenvolvimento no que se refere ao alcance dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável; acesso a alimentos saudáveis; sistemas agroalimentares sustentáveis; sociobiodiversidade; inovações sociotécnicas na reconexão entre produção e consumo; gestão social e mecanismos de governança territorial; sistemas agroalimentares convencionais; conflitos socioambientais. Os melhores trabalhos serão selecionados para compor um número especial da Revista REDES da UNISC.

 

 

10. Processos de qualificação de produtos em sistemas agroalimentares: conceitos, disputas e valores em debate

Coordenação:

  • Marília Luz David – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Brasil)
  • Fabiana Thomé da Cruz – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Brasil)
  • Ligia A. Inhan – Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais (Brasil)
  • Marcelo Agustín Champredonde – Instituto Nacional de Tecnologia Agrícola (Argentina)
  • Andreza Martins – Universidade Federal de Santa Catarina (Brasil)
  • Krisciê Pertile Perini – Universidade Federal do Rio Grande (Brasil)

 

Este GT pretende reunir contribuições que discutam processos de qualificação de alimentos em práticas de produção, consumo e certificação de produtos, buscando explorar como se formulam e quais são as implicações (ex. valorativas, econômicas, socioespaciais, culturais) de distintas definições de qualidades. As propostas devem investigar como os diversos atores dos sistemas agroalimentares definem e caracterizam o que são, por exemplo, alimentos “saudáveis”, “sustentáveis”, “tradicionais”, “artesanais”, “coloniais”, etc. Análises nos campos das Ciências Sociais, Engenharias e Ciências Agrárias têm problematizado os debates acerca das qualidades dos alimentos, assinalando as negociações envolvidas, a heterogeneidade material e o caráter histórico, espacial e culturalmente situado desses processos. Um exemplo são os debates sobre definições de produtos agroalimentares artesanais, os quais apresentam características singulares, associadas a vínculos culturais, ambientais e a qualidades específicas que se contrapõem à padronização industrial. Nesse debate, questões sobre as quais este GT se volta são: (a) Como funcionam os processos de qualificação de alimentos nos mercados?; (b) Como são definidos e classificados produtos como “sustentáveis”, “artesanais”, “tradicionais”, “saudáveis”, “seguros”, “agroecológicos”, “orgânicos”, “gourmets”, etc?; (c) Quem participa dos processos de qualificação e quais são as assimetrias de poder entre os atores?; (d) Quais são os critérios e avaliações empregados nestas práticas?; (e) Como as diferentes definições de qualidades transformam os espaços de produção e consumo?; (f) Quais são os conflitos entre versões concorrentes nos mercados sobre o que deve contar como alimento “sustentável”, “artesanal/colonial”, “saudável” dentre outros?; (g) Como são criadas normatizações para legitimar ou formalizar tais atributos?; (h) Quais definições de qualidade podem contribuir para criar políticas públicas que fomentem produtos agroalimentares diferenciados?. Tomando esses debates, o presente GT espera discutir dados teóricos e empíricos relacionados à qualificação da produção, processamento e consumo de alimentos, a fim de identificar elementos que contribuam para fundamentar conceitos e problematizar distintas perspectivas de análise e definições de qualidade.

 

 

11. Cadeias de produtos da sociobiodiversidade e redes alimentares tradicionais: entendendo o seu papel em segurança alimentar e nutricional e no desenvolvimento sustentável

Coordenação:

  • Talis Tisenkopfs – Centro de Estudos Bálticos da Universidade da Letônia (Letônia)
  • Janaína Deane de Abreu Sá Diniz – Universidade de Brasília (Brasil)
  • Mariana Oliveira Ramos – Universidade Federal do Rio Grande do Sul e ONG ANAMA (Brasil)
  • Mikelis Grivins – Centro de Estudos Bálticos da Universidade da Letônia (Letônia)
  • Stéphane Guéneau – Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (França)
  • Elisabete Figueiredo – Universidade de Aveiro (Portugal)

 

Este grupo de trabalho examinará a contribuição de cadeias de produtos da sociobiodiversidade e redes alimentares tradicionais para a segurança alimentar e nutricional e o desenvolvimento sustentável. Produtos da sociobiodiversidade são bens gerados a partir de recursos da biodiversidade local em cadeias produtivas de interesse de povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares. Essas cadeias são constituídas por atores interdependentes e por uma sucessão de processos desde a produção e processamento até a comercialização e consumo de produtos com identidade cultural e incorporação de valores e saberes locais. Redes alimentares tradicionais incluem várias formas de acesso aos alimentos (jardinagem, autoconsumo, coleta, etc.) e troca de produtos através de laços sociais. Constituem uma justaposição de economias de troca, mercados informais e uso de recursos locais, regidas por conhecimento tácito e normas culturalmente prescritas e estão presentes em sociedades modernas e tradicionais, onde interagem tanto com cadeias ‘convencionais’ quanto ‘alternativas’. A comercialização de alimentos tradicionais e produtos da sociobiodiversidade em mercados agroecológicos ou lojas especializadas tornou-se moda. Em áreas urbanas tem sido vetor de experiências de organização coletiva, desenvolvimento de produtos, construção social de mercados e outras inovações sociais e ambientais. Entretanto, cadeias de produtos da sociobiodiversidade, redes alimentares tradicionais e suas práticas não foram suficientemente investigadas, apesar de sua contribuição para a segurança alimentar e nutricional e a sustentabilidade ambiental e social. Este grupo de trabalho visa compartilhar estudos de cadeias de produtos da sociobiodiversidade e redes alimentares alternativas em vários contextos socioeconômicos e culturais, e discutir perspectivas teóricas a partir deles. O objetivo é: (a) avançar na sistematização de informações relacionadas a tais redes e cadeias em diferentes países; (b) discutir os principais desafios em sua manutenção e qualificação; (c) identificar suas implicações em alternativas de renda para famílias agricultoras, em conservação ambiental e em melhorias na alimentação e nutrição.

 

 

12. Governança e Inovação Social: experiências e avanços para a sustentabilidade em sistemas agroalimentares

Coordenação:

  • Giuliana Aparecida Santini Pigatto – Universidade Estadual Paulista (Brasil)
  • Gianluca Brunori – Universidade de Pisa (Itália)
  • Ana Elisa Bressan Smith Lourenzani – Universidade Estadual Paulista (Brasil)
  • Andrea Rossi Scalco – Universidade Estadual Paulista (Brasil)
  • Sandra Mara Schiavi Bánkuti – Universidade Estadual de Maringá (Brasil)

 

O conceito de Desenvolvimento Sustentável tem se tornado amplamente discutido e assume a interrelação de diversos fatores, como o social, econômico, político, ambiental e cultural. A heterogeneidade de agentes e fatores que afetam o sistema alimentar requer uma abordagem interdisciplinar para enfrentar os desafios e as perspectivas para a agricultura e provisão de alimentos nas sociedades urbanizadas. As formas de governança e inovação social contribuem para a implementação das metas do Desenvolvimento Sustentável. A literatura relacionada às formas de Governança, incluindo Redes Sociais, Nova Economia Institucional, Cadeias Globais de Valor e Cadeias Curtas Agroalimentares, entre outras, têm dado atenção para a interação entre diferentes agentes que interagem no âmbito dos sistemas, objetivando promover sistemas agroalimentares sustentáveis. Receberemos propostas que descrevam experiências e estudos nacionais e internacionais que ampliem a discussão das seguintes questões: (a) Quais são as estratégias utilizadas pelos agentes envolvidos em sistemas agroalimentares sustentáveis para acessar mercados competitivos?; (b) Existem evidências de que a governança estabelecida entre diferentes agentes têm permitido sistemas agroalimentares sustentáveis (em fatores sociais, econômicos, políticos, ambientais e culturais), bem-estar e geração de renda?; (c) Que experiências de inovações sociais têm sido induzidas por formas de governança e a organização social dos agentes nos sistemas agroalimentares?; (d) Governança e inovação social são capazes de promover a segurança alimentar?. As questões podem ser abordadas por diferentes teorias, como Redes Sociais, Governança e Inovação Social, Cadeias Curtas Agroalimentares, Nova Economia Institucional, Cadeias Globais de Valor, entre outras. Abordagens interdisciplinares são bem vindas.

 

 

13. Produção, comércio e consumo em redes e cadeias alimentares

Coordenação:

  • Marcio Gazolla – Universidade Tecnológica Federal do Paraná (Brasil)
  • Jean Philippe Palma Révillion – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Brasil)
  • Moisés Villamil Balestro – Universidade de Brasília (Brasil)
  • Moacir Roberto Darolt – Instituto Agronômico do Paraná (Brasil)
  • Maria Fonte – Universidade de Nápoles Federico II (Itália)

 

Contribuições teóricas e novas abordagens para a análise das cadeias e redes agroalimentares. Novos enfoques metodológicos para a investigação de cadeias e redes. O papel das cadeias e mercados nas transformações, inovações sociotécnicas e na construção de novas práticas nos sistemas agroalimentares. Análise de diferentes experiências, tipos e dinâmicas de cadeias e de redes agroalimentares. As relações sociais, econômicas, institucionais, de redes sociais e ambientais entre produção e consumo nas cadeias. Contribuições das cadeias e redes alternativas para a sustentabilidade ambiental e a promoção da alimentação saudável. A relação das cadeias e redes alternativas com o desenvolvimento rural e as questões de saúde. Perfis de consumidores, agricultores e de outros atores sociais presentes nos mercados alimentares. Estudos do consumo político, crítico e sustentável. Pesquisas comparadas e internacionais sobre cadeias e redes alternativas. Desafios e perspectivas das cadeias e redes para o abastecimento alimentar em sociedades urbanizadas. O papel do Estado, das políticas e programas públicos na construção de mercados e cadeias.

 

 

14. Gênero e práticas alimentares

Coordenação:

  • Ana Carolina Rodríguez Ibarra – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Colômbia)
  • Rita de Cássia Maciazeki Gomes – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Brasil)
  • Gloria Patricia Zuluaga Sánchez – Universidade Nacional da Colômbia (Colômbia)
  • Luymara Pereira Bezerra de Almeida – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Brasil)
  • Tamara Raísa Bubanz Silva – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Brasil)

 

A proposta do GT “Gênero e práticas alimentares” se articula aos eixos centrais de discussão da III Conferência Internacional de Agricultura e Alimentação em Sociedades Urbanizadas (AgUrb) relacionados às mudanças societárias e a base natural da produção agroalimentar. De modo especial, parte do pressuposto de que no arcabouço da construção e implementação de programas de desenvolvimento ligados à alimentação possam ser transversalizadas às questões de gênero. Em sintonia com a proposta do evento, o GT articula debates sob uma perspectiva de gênero, em torno dos diferentes modos de produzir e às práticas ligadas a uma alimentação saudável, que respeitem a sociobiodiversidade, os sistemas agroalimentares sustentáveis, os sistemas de abastecimento e as demandas dos distintos atores envolvidos na temática agroalimentar.  Nesse sentido, o GT acolhe propostas de estudantes, pesquisadores (as), ativistas de movimentos sociais, gestores (as), técnicos (as) e profissionais que pautem em seus estudos reflexões e discussões no arcabouço dos debates sobre gênero e a produção de sistemas agroalimentares. O gênero é tomado como uma construção social e leva em conta a diversidade.  Apresenta ainda, destaque ao compartilhamento de estudos relacionados à participação das mulheres na produção de uma alimentação saudável, o desempenho das mulheres em atividades como o preparo de alimentos e o cuidado com a produção para o autoconsumo das famílias e, sublinha como estas ações contribuem de modo fundamental na promoção da Segurança Alimentar e Nutricional e na defesa da Soberania Alimentar da população. Assim, serão priorizados os trabalhos que visam compreender como se dá a organização dos processos de trabalho e suas transformações, a contribuição dos diferentes indivíduos que dialogam com os aspectos de gênero na formulação e implementação de políticas alimentares saudáveis, sua inserção em movimentos sociais e seu protagonismo na realização de atividades associadas a agricultura familiar e o impacto destas ações na saúde e na qualidade de vida das famílias e das comunidades.

 

 

 15. Agrobiodiversidade e o fortalecimento dos agroecossistemas tradicionais

Coordenação:

  • Tatiana Mota Miranda – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Brasil)
  • Leonice Aparecida de Fátima Alves Pereira Mourad – Universidade Federal de Santa Maria (Brasil)
  • Erika Carcaño – Universidade de Guanajuato (México)
  • Shirley Rodríguez-Gonzalez – Universidade da Costa Rica (Costa Rica)
  • Hellen Cristina de Souza – Centro de Formação e Atualização de Profissionais de Educação Básica no Estado de Mato Grosso (Brasil)
  • Eliane Bonoporepá Monzilar – Secretaria Estadual de Educação e Cultura / MT (Brasil)

 

O  termo  agrobiodiversidade  se  refere  a  todo  componente  biológico relacionado à alimentação e agricultura, fruto da complexa interação dos seres humanos  com  o  meio  ambiente,  ocorridas  em  contextos  socioambientais  e culturais dinâmicos. Tendo em vista que, na contemporaneidade, as atividades agrícolas  caracterizam-se  pela  crescente  homogeneização,  resultante  dos processos de industrialização, que provocam uma configuração que imprime aos agroecossistemas  um  conjunto  de  características  identificadas  com  a monocultura,  muito  tem  sido  perdido  em  termos  de  agrobiodiversidade, conhecimento ecológico local, práticas tradicionais de manejo, redes de trocas e autonomia dos agricultores. Nesse sentido, faz-se necessário o reconhecimento e  a  valorização  da  agrobiodiversidade  como  um  elemento  essencial  à manutenção  de  modos  de  vida,  bem  como  da  sua  centralidade  no fortalecimento  de  sistemas  agroalimentares  e  de  produção  sustentáveis. Ademais,  é  importante  dar  visibilidade  às  atividades  agrícolas  desenvolvidas com  base  na  transmissão  e  socialização  de  saberes,  assentadas  na  cultura  e identidade  de  populações  que  as  constituíram,  que  acabam  por  imprimir dinâmicas  sociais,  culturais  e  ambientais  diferenciadas  aos  agroecossistemas, de sorte a evidenciar a possibilidade de outras racionalidades que contrapõem-se  a  racionalidade  dos  sistemas  agroalimentares  dominantes,  marcadamente identificados  com  a  denominada   ‘bioindustrialização’.  Nesse  contexto,  o objetivo  do  presente  Grupo  de  Trabalho  (GT)  é  compartilhar  resultados, promover  reflexões  e  ampliar  as  discussões  sobre  a  contribuição  da agrobiodiversidade no fortalecimento dos agroecossistemas tradicionais, através da compilação de pesquisas multidisciplinares, resultado de ações de pesquisa, ensino e extensão, na tentativa de levantar subsídios para o preenchimento de lacunas  empíricas,  teóricas  e  metodológicas  sobre  o  tema.  Adicionalmente, buscar-se-á  apresentar  e  dar  visibilidade  ao  funcionamento  dos agroecossistemas  tradicionais,  bem  como  sua  capacidade  de  resposta  e  as formas sustentáveis de manejá-los. Como resultado, buscar-se-á a constituição de um espaço de diálogo e interlocução entre distintos segmentos da sociedade, voltado para a formulação e fortalecimento de ações em rede.

 

 

16. Comida e soberania alimentar

Coordenação:

  • Anelise Rizzolo – Universidade de Brasília  (Brasil)
  • Elisabetta Recine – Universidade de Brasília e Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Brasil)
  • Cecilia Rocha – Universidade de Ryerson (Canadá)
  • Arantza Begueira – Observatório da Alimentação (Espanha)
  • Glória Sammartino – Universidade de Buenos Aires (Argentina)
  • Julian Perez-Cassarino – Universidade Federal da Fronteira do Sul (Brasil)

 

O sistema agroalimentar hegemônico tem gerado crises econômicas, ambientais, alimentares e nutricionais graves. Soberania alimentar é um conceito originalmente dos movimentos sociais campesinos que afirma o direito dos povos de decidir sobre seu sistema alimentar nas dimensões políticas, culturais e econômicas. Com o avanço da urbanização e suas consequências sobre o meio ambiente, a saúde e os modos de viver das populações no campo e na cidade, é imperativo pensar a soberania sob a ótica urbana. Qual é o papel das cidades nessa construção? Quem decide que alimentos estão disponíveis? Quem são os atores e os espaços capazes de promover mudanças nesse paradigma? Como as pessoas identificam a dimensão da soberania alimentar nos processos de escolha dos alimentos?  Alternativas emergem fortalecendo os vínculos entre produtores e consumidores, estimulando práticas ecológicas de produção, valorizando os recursos da sociobiodiversidade e facilitando o acesso à alimentos saudáveis. Na dimensão do consumo, é importante qualificar uma perspectiva que permita o reconhecimento dos significados culturais dos alimentos, preparações culinárias, rituais, atitudes e práticas subjetivas de uma linguagem que se traduz no universo da comida, seus múltiplos usos, repercussões, inserções sociais e olhares. O caminho da soberania alimentar no meio urbano parece se construir a partir de experiências de aproximação: do alimento plantado e preparado, entre produtores e consumidores, da comida e seus sentidos, culturais, de identidade e prazer, das relações simbólicas entre corpo, gênero e subjetividades. Compartilhar e compreender tais produções materiais, simbólicas e conceituais pode potencializar a construção de sistemas alimentares justos e sustentáveis no campo e nas cidades. O GT Comida e soberania alimentar têm neste escopo um arranjo temático centrado na soberania alimentar, produção, abastecimento e consumo considerando a comida como um dos aspectos fundantes da cultura que transita no universo das relações humanas e sociais, onde o corpo e suas subjetividades revelam aspectos importantes desta construção.

 

 

17. Recuperação e redistribuição de excedentes de alimentos para a sustentabilidade nos sistemas alimentares

Coordenação:

  • Francesca Galli – Universidade de Pisa (Itália)
  • Marc Wegerif – Universidade de Pretória (África do Sul)
  • Walter Belik – Universidade Estadual de Campinas (Brasil)

 

Entre as limitações dos sistemas alimentares globais e locais, duas fontes específicas de vulnerabilidade ressoam na literatura acadêmica, nos meios de comunicação e nos debates públicos: por um lado, uma enorme produção de alimentos e geração de resíduos, por outro lado formas extremas de pobreza manifestadas na falta de acesso a alimentos saudáveis por um número crescente de famílias de baixa renda. Além das dificuldades técnicas para reduzir as Perdas e Resíduos de Alimentos observa-se uma certa funcionalidade neste fenômeno na nossa sociedade considerando os aspectos micro e macro. Para abordar o paradoxo da “escassez dentro da abundância”, um amplo conjunto de atores, contribuem ativamente para redistribuir o excedente de alimentos recuperáveis ​​para aqueles que vivem em uma fase temporária ou permanente de desconforto. A redistribuição do excesso de alimentos ocorre através de trocas diárias, dentro de redes de proximidade, ou através de iniciativas de caridade mais estruturadas e formalizadas, muitas vezes relacionadas aos serviços sociais públicos, dependendo do contexto institucional, histórico e cultural. O objetivo deste Grupo de Trabalho é concentrar-se na discussão da geração, recuperação e redistribuição de excedentes de alimentos para fins sociais (ou seja, para atender o direito à alimentação de pessoas que vivem uma fase de desconforto temporário ou permanente) e fins ambientais (ou seja, reduzir o desperdício de alimentos). Nesse sentido, o grupo de trabalho tem como objetivo discutir a redução e recuperação do excedente de alimentos através de intervenções deliberadas, políticas públicas, bem como as práticas cotidianas existentes em diferentes contextos. Em suma, nesse processo, as potencialidades, conexões e possíveis tensões precisam ser identificadas e discutidas. Para tanto serão apresentadas lições para a governança sustentável do excedente de alimentos e a redistribuição de alimentos em múltiplos regimes (sistema alimentar, bem-estar, sociedade civil) visando uma maior sustentabilidade social e ambiental.

 

 

18. Alimentação, cuidados e agricultura social

Coordenação:

  • Francesco Di Iacovo – Universidade de Pisa (Itália)
  • Claudia Brites – Universidade Nova de Lisboa (Portugal)
  • Jan Hassink – Universidade de Wageningen (Países Baixos)
  • Marina L. Lorente – Instituto Madrilenho de Desenvolvimento Rural (Espanha)
  • Saverio Senni – Universidade de Tuscia (Itália)
  • Bianca Maria Torquati –  Universidade de Perugia (Itália)
  • Antoni F Tulla – Universidade Autônoma de Barcelona (Espanha)

 

Nos últimos anos, uma atenção cada vez maior tem sido dada à provisão de serviços sociais inovadores ligados à interação de pessoas com plantas, animais, produção de alimentos e espaços/recursos rurais. Tais práticas são baseadas na interação com os ciclos biológicos, bem como com o uso específico do tempo e do espaço oferecidos pelo ambiente rural. Elas podem também ser baseadas na terapia horticultural, na atividade/terapia assistida com animais, assim como no uso de espaços e recursos rurais a fim de prestar serviços sociais civis focados na vida cotidiana. As referidas práticas recebem diferentes nomes e rótulos, mas, em todo caso, atendem às muitas necessidades e demandas de áreas rurais e periurbanas, envolvendo uma grande variedade de atores, tais como agricultores, associações voluntárias, setores sociais e de saúde, usuários de serviços e suas famílias, e comunidades locais. A Agricultura Social (AS) é um movimento que tem crescido em muitos países e que liga agricultura e provisão de alimentos de diversas maneiras através de uma ampla gama de setores e serviços (saúde, assuntos sociais, educação e justiça) focados em diversos grupos-alvo (crianças, idosos, famílias, pessoas com dependências, deficiência mental e física, demência, refugiados, ex-prisioneiros, ex-combatentes, etc.) e competências relacionadas, além de corresponder a diversas regras e políticas relacionadas a cada um dos setores envolvidos.  A AS é uma prática (retro)inovadora organizada de formas diferentes em todo o mundo com base em necessidades, culturas, instituições e recursos locais. Às vezes, as práticas da AS são formalmente reconhecidas e apoiadas pelo sistema nacional de assistência social; em outros casos, elas podem ser baseadas em princípios tradicionais ou inovadores incorporados à vida das comunidades locais. As iniciativas da AS sempre reconectam áreas urbanas e rurais ao longo de cadeias inovadoras nas quais alimentação e provisão de saúde podem caminhar juntas sob diversas circunstâncias e apresentar múltiplos resultados privados e públicos. O modelo dos serviços de AS responde às necessidades sociais que emergem em áreas rurais e urbanas devido à crescente demanda por serviços eficazes e personalizados sob restrições de corte nas despesas públicas para a sua oferta pública. Em outros casos, a presença da forma tradicional de prestação de serviços nas comunidades rurais pode ser melhor reconhecida e realizada sob a perspectiva de um apoio crescente oferecido pelas políticas públicas e de sua qualificação. O debate científico e social sobre a agricultura multifuncional/diversificada normalmente minimiza os resultados sociais, apesar da evidência das práticas existentes. Este GT se propõe a focar em práticas de AS, assim como em práticas semelhantes à AS realizadas em diversas configurações e circunstâncias, com o objetivo de facilitar a criação de um catálogo mundial. Este tópico abre um debate transdisciplinar e, consequentemente, pode ser analisado através de uma ampla gama de ferramentas teóricas e metodológicas, assim como ser estudado com o objetivo de oferecer uma visão inovadora sobre as práticas existentes, os princípios reguladores orientadores, seus resultados privados/públicos sobre usuários/provedores/comunidades/organização da cadeia alimentar, suas implicações em termos de conhecimento/inovação e a elaboração de políticas. Contribuições de perspectivas diversas – incluindo de domínios como saúde/assistência social/agricultura, pesquisa sociológica e econômica, e análise de políticas – feitas tanto por pesquisadores/acadêmicos quanto por profissionais serão aceitas com base no processo de mediação do conhecimento.

 

 

19. Novos Modelos de Negócios em Alimentos

Coordenação:

  • Marcia Dutra de Barcellos – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Brasil)
  • Neil Argent – Universidade da Nova Inglaterra (Austrália)
  • Solange Alfinito – Universidade de Brasília (Brasil)
  • Loic Sauvée – UniLasalle (França)
  • Luis Kluwe Aguiar – Universidade Harper Adams (Reino Unido)

 

Em relação as áreas metropolitanas, as regiões rurais são frequentemente associadas à baixa intensidade industrial, com poucas empresas e modelos de negócios inovadores. No entanto, o futuro é promissor, uma vez que se espera uma revolução na forma como produtores e consumidores se relacionam com os alimentos. Avanços tecnológicos assumem um grande papel na produção de alimentos, na gestão da cadeia de suprimentos, na comunicação com o consumidor e na forma como os varejistas apresentam seus produtos. Além disso, as preocupações com segurança alimentar, sustentabilidade e a demanda por produtos alimentares de alta qualidade também levam ao desenvolvimento de novas cadeias agro-alimentares e ao estreitamento do vínculo entre produtores e consumidores. Neste Grupo de Trabalho, exploraremos as diversas estratégias e abordagens que empreendedores e organizações urbanas e rurais estão implantando para desenvolver novos modelos de negócios em alimentos. Entre outros, iremos abordar uma série de questões-chave, incluindo:

  • O futuro das empresas rurais no ambiente contemporâneo: corporativo e global ou local pequeno?
  • Modelos de sucesso para startups e varejos no negócio de alimentos e bebidas: como a tecnologia e a gourmetização estão modificando o consumo de experiência? (compras online, delivery, food trucks, etc.)
  • A Geração Z e o bem-estar do consumidor: como podemos fornecer alimentos frescos, seguros e saudáveis ​​para eles? Transparência e informação no cenário alimentar digital.
  • O surgimento de novas proteínas na mesa (insetos, carne de laboratório, agricultura celular): os produtores, varejistas e consumidores estão prontos para aceitá-las?
  • Cadeias curtas de suprimentos e regionalização/localismo: como os produtores de alimentos podem se aproximar e entender melhor as demandas dos consumidores por produtos orgânicos e premium?
  • Mudanças nas cadeias de valor globais: novos modelos de negócios alimentares visando criar valor compartilhado com a sociedade.

 

 

20. A Universidade na sociedade promovendo sistemas alimentares congruentes com a Soberania e a Segurança Alimentar e Nutricional

Coordenação:

  • Maria Rita Marques de Oliveira – Centro de Ciência e Tecnologia em Soberania Alimentar e Nutricional, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Brasil)
  • Eliana Maria Perez Tamayo – Universidade de Antioquia (Colômbia)
  • Elaine Martins Pasquim – Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (Brasil)
  • Eliziane Nicolodi Francescato Ruiz – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Brasil)
  • Marianela Zúñiga – Universidade da Costa Rica (Costa Rica)
  • Andrea Monica Solans – Universidade de Buenos Aires (Argentina)

 

O contexto atual e hegemônico das formas de produzir, processar, distribuir e consumir alimentos tem se tornado, cada vez mais, um problema relevante para a sociedade com impactos importantes na saúde, no ambiente e no desenvolvimento social. Emerge, nesse sentido, a necessidade de se discutir o papel da Universidade e das Redes Sociais/Acadêmicas na reposição dos sistemas agroalimentares, a partir da promoção da soberania e segurança alimentar e nutricional para efetivar o direito humano à alimentação adequada. As redes sociais/acadêmicas vêm se consolidando como estratégia de ação para o fortalecimento do ensino-pesquisa-extensão entre comunidades acadêmicas inseridas na comunidade social global, podendo assumir uma função importante não somente na produção de conhecimentos, mas também na (trans) formação social. O que se pretende neste grupo de trabalho é propiciar um espaço de compartilhamento de experiências e trazer para o debate questões primordiais para o fortalecimento das ações da universidade e das redes voltadas à temática do AgUrb. Dessa forma o GT acolherá trabalhos  que versem sobre: (a) experiências de ensino, pesquisa e extensão e sua contribuição nas temáticas do AgUrb; (b) o papel da universidade nas Inter-relações entre conhecimento, política e ação em sistemas agroalimentares, questões primordiais para o fortalecimento das redes sociais e acadêmcias voltadas às temáticas do AgUrb; (c) existem redes sociais/acadêmicas já bem consolidadas e outras em fase de articulação  tais como, redes de Agroecologia, Economia Solidária, Nutrição, Alimentação e Cultura, Segurança Alimentar e Nutricional, Soberania Alimentar, Agrobiodiversidade, Direito Humano à Alimentação, entre outras. Como resultado, além de estimular a conexão entre as redes presentes, se espera sistematizar as informações trazidas nos artigos inscritos e geradas nos debates.

 

 

21. Nutrição, ambientes alimentares e sistemas alimentares sustentáveis

Coordenação:

  • Suzi Barletto Cavalli  Universidade Federal de Santa Catarina (Brasil)
  • Dalia Mattioni – Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura e Universidade de Pisa (Itália)
  • Antônio Inácio Andrioli – Universidade Federal da Fronteira Sul (Brasil)
  • Giovanna Medeiros Rataichesck Fiates – Universidade Federal de Santa Catarina (Brasil)
  • Leonardo Melgarejo – Associação Brasileira de Agroecologia (Brasil)
  • Fernanda Kroker-Lobos – Instituto de Nutrição da América Central e Panamá (Guatemala)

 

O Grupo de Trabalho propõe discutir como os sistemas alimentares devem se organizar para promover dietas saudáveis e sustentáveis, na perspectiva nutricional, sanitária, cultural e ambiental. É necessário pensar os sistemas alimentares como sensíveis à nutrição, na perspectiva de torná-los capazes de produzir alimentos nutricionalmente adequados, seguros, culturalmente aceitos, socialmente justos e ambientalmente sustentáveis. Para que o consumo de alimentos possibilite uma alimentação e nutrição adequadas é necessário discutir aspectos relacionados à produção, processamento, comercialização e consumo de alimentos. O Ambiente alimentar pode ser considerado um importante fator de mediação entre o que o sistema alimentar propõe e a dieta usual contemporânea.

  • Agricultura e sistemas pós-colheita: A alimentação deve ser considerada para além de questões especificamente nutricionais, baseada em práticas produtivas sustentáveis que busquem a valorização da biodiversidade, tendo em vista a diversidade alimentar. A comercialização deve aproximar produtores e consumidores, possibilitando o consumo de alimentos frescos produzidos pela agricultura familiar, isentos de contaminantes e ingredientes geneticamente modificados, orgânicos de base agroecológica e provenientes de comércio justo.
  • O processamento de alimentos deve evitar elevadas quantidades de açúcares, sódio, conservantes, gordura saturada e trans. Nesse aspecto, reforça-se o papel da indústria de alimentos na disponibilização de informações adequadas aos consumidores e a regulação e fiscalização dos governos para esse setor como foco de prevenção da obesidade e de doenças crônicas não transmissíveis.
  • Comercialização: a forma como os estabelecimentos que comercializam alimentos estão organizados nas cidades, bem como o preço dos alimentos comercializados, tem impacto na alimentação da população. Os estabelecimentos de comercialização incluem restaurantes, supermercados e feiras. A garantia da segurança alimentar e nutricional, bem como a recuperação do patrimônio gastronômico e habilidades culinárias são considerados aspectos fundamentais dos padrões alimentares sustentáveis.